De fio a tecido plano

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Não tem truques de mágica, mas tem muita magia! Eis que o fio, de sozinho, passa a ser inteiro. Um emaranhado de ligações, cheio de cor e vida. Um tecido macio, fofo, que quase não te deixa sentir o peso do bebê. Sustenta a amarração por um longo período com conforto e ajusta como manteiga derretendo no pão. Que pano é esse? Como os fios se transformam em um tecido plano próprio para carregar bebês?

Por que tecidos planos?

Duas das mais antigas formas de trabalho são a fiação e a tecelagem. A evolução das técnicas de produção de tecidos liga-se fundamentalmente à evolução das sociedades. A história das relações do homem com o meio mostra que sempre houve alguma apropriação de bens naturais. Num primeiro momento, para garantir a sobrevivência humana; num estágio posterior, evoluindo para a acumulação.

E o bem carregar?

As crianças são carregadas nos braços de seus pais desde o início da história humana. É uma prática que transcende evolução, história, geografia, sociedade e cultura. A busca por materiais para carregar faz parte desse processo. Começamos com materiais simples, naturais e de fácil acesso – como peles de animais e fibras de plantas. Com a evolução e as técnicas de produção de fios e tecidos, tudo veio a se encaixar.

O tecido plano é perfeito para o bem carregar. Ele não cede na horizontal ou vertical, mas tem certa elasticidade diagonal. Isso favorece o ajuste e mantêm a amarração firme e segura, mesmo depois de muito tempo de uso. Aliás, quanto mais é utilizado, mais macio se torna o tecido. E é por isso que um porta-bebê plano usado (de boa qualidade e em bom estado) praticamente não perde seu valor de mercado na revenda.

De fio a tecido plano

Até chegar ao tear e virar tecido, o fio passa por um longo caminho. É uma viagem trabalhosa, atraente, criativa e cheia de magia! Um dos primeiros passos é estudar. De acordo com as características esperadas do produto final, avaliamos a espessura do fio, definimos a padronagem, a escolha e sequência de cores. E calculamos o número de fios do urdume (de acordo com a largura da peça e comprimento) de modo que não sobre nem falte material.

Gráfico do tecido plano Cazulim
Montando o gráfico do tecido plano Cazulim.

O segundo passo é a urdidura. Urdir consiste em preparar os fios (seção horizontal) destinados a receber a trama. Os fios são reunidos com um mesmo comprimento. Assim, um grupo de fios percorre o mesmo número de idas e voltas, conforme a largura e comprimento desejado para o urdume. (No tear manual mineiro os fios são reunidos em grupos de doze, que recebem o nome de cabistilhos. Quanto mais cabistilhos, maior a largura do urdume.)

Para urdir vários fios ao mesmo tempo, mantê-los paralelos e regular a tensão, utilizamos um acessório chamado espadilha. Toda vez que termina ou começa uma volta, é feito a cruz, que garante o lugar que cada fio vai ocupar no tecido. A cruz é muito importante nos casos de fios de cores diferentes e padrões de listras regulares.

Para levar os fios da urdideira ao rolo de urdimento, fazemos uma trança. Esses fios são enrolados no rolo de urdimento, todos com a mesma tensão e sem risco de se misturarem. Para separar os fios em duas camadas, cada um dos fios é enfiado pelo olho de um liço e depois passado entre os dentes do pente. Após contornarem a barra de tensão, são amarrados no rolo do tecido.

No tear

Uma vez que o urdume está instalado no tear, pode-se iniciar a tramagem (passar o fio da trama entre os fios das duas camadas do urdume). Quando será feito um mesmo padrão de tecido ou com características bem próximas, em cores diferentes e com o mesmo número de fios, pode-se aproveitar os fios já passados anteriormente. É o processo de remeteção: emendar o término do rolo de urdume ao rolo de urdume que irá entrar no tear, fio a fio. A trama, fio que vai “tampar” o urdume, é enrolada em novelos (bolinhas) ou podem ser usadas lançadeiras.

A padronagem do tecido é definida no tear manual pela sequência de acionamento dos pedais. No tear semi-industrial, pelas cartelas. Assim o fio toma forma, cor, textura e o tecido está feito.

Aí está toda a magia da tecelagem. As mesmas variáveis (material, cor, padronagem, texturas) possibilitam inúmeras possibilidades de combinações. Agora que você já entendeu como funciona o processo de transformar fio em tecido, que tal saber mais? Vem conhecer os bastidores da produção de um carregador e também as diferenças entre os tipos de teares.

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